O beijo no saibro de Roland Garros, gesto repetido por Francesca Schiavone durante a semana, era indício de que algo especial estava por acontecer. Neste domingo, a italiana de 29 anos consumou com final feliz o casamento com o torneio francês. Com uma atuação irretocável, ela derrotou a australiana Samantha Stosur, número 7 do mundo, por 6/4 e 7/6(2), e conquistou o título.
Antes de repetir a cena, deitou-se no solo da quadra Philippe Chatrier e levou as mãos à cabeça. Então virou-se e deu o beijo no pó de tijolo. Foi seu primeiro triunfo em um Grand Slam, e também o primeiro de uma italiana na história do tênis. Como resultado, entrará no top 10 e aparecerá na sexta colocação, 11 a mais que seu posto atual, o 17º.
A emocionante conquista de Francesca Schiavone em Roland Garros, a primeira de uma tenista italiana em qualquer Grand Slam, agitou dirigentes, jogadores e a imprensa nacional, que renderam homenagens e palavras de carinho à campeã de 29 anos.
“Uma coisa maravilhosa aconteceu”, afirmou Adriano Panatta, último campeão italiano de um Slam, ao vencer Roland Garros em 1976. “Todos os créditos têm de ser dados a Francesca. Claro que houve sempre muita gente a seu redor que ajudaram bastante, mas no final quem faz tudo acontecer é a que está na quadra”.
O feito também foi destaque nos dois maiores jornais de circulação nacional. Mesmo às vésperas da Copa do Mundo e no dia em que o motociclista Valentino Rossi quebrou a perna, ela foi manchete do tradicional “Gazzetta dello Sport”, que escreveu: “Vitória histórica”, afirmando que “Francesca é a primeira rainha da França”. Já o “Corriere dello Sport” chamou sua conquista de “mística”.
A Itália é a atual campeã da Fed Cup, o campeonato mundial entre países, e isso tem feito o tênis despertar maior interesse no país. O capitão Corrado Barazzutti acredita que o título em Roland Garros será fundamental: “Francesca fez um grande favor para o nosso esporte”.
O presidente Giorgio Napolitano ligou para Schiavone logo depois de sua conquista, enquanto ela ainda se preparava para receber o troféu. Pergunada se ela espera uma recepção de 50 mil pessoas em Roma, Francesca diz que não. “Vou para casa para ver minha mãe e meu pai. Costumamos jantar ou almoçar em 10 pessoas, mas talvez agora tenhamos que comprar uma casa maior, para umas 50″.
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